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quarta-feira, 27 de março de 2024
terça-feira, 31 de maio de 2016
Linguagem Típica de Almas e Região
LINGUAGEM DE ALMAS E REGIÃO.
Como Almas e toda a região Sudeste do Tocantins, hoje está sendo visitada por pessoas de todas as partes do país e do mundo, resolvi colocar aqui algumas palavras típicas, porém antigas, mas que ainda é usada, por pessoas nascidas na região, principalmente as residentes na zona rural.
A Pulso - A Força
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Abêa - Abelha
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Abilolado - Doido
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Aperrear - Encher a paciencia
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Arribar - Levantar
Assuntar - Olhar |
Avexado - Apressado
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Badoque / Bodoque - Arma artesanal feita de madeira e cordão, utilizada para caçada
pequenos animais e aves
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Baladeira - Estilingue
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Balaio de Gato - Desorganização
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Beiços - Lábios
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Beiju - Iguaria feita de tapioca
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Bila - Bola de gude
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Boroca - Bolsa utilizada por garimpeiros para carregar objetos
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Bruaca - Caixa feita de couro, onde geralmente se prende em uma cangaia
que é colocada em cima de um jumento, para transporte de objetos,
mantimentos, etc,..
Bulir - Mexer em coisas alheias |
Cacunda - Costas
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Calundu - Choro, tristeza
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Cambito - Perna Fina
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Caminhadeira - Desinteria / Caganeira
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Capanga - Bolsa de tecido ou couro
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Cascudo - Murro no meio da cabeça
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Catinga - Mal cheiro
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Chaculateira - Bule / Chaleira
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Chapa - Dentadura
Cobertor de Orelha - Esposa (a) |
Consolo / Bico - Chupeta de criança
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Currião - Cinto
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Derradeiro - Último
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Diacho - Diabo
Discarado - Sínico Dordói - Conjuntivite |
Entojo - Enjôo
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Espiar - Olhar
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Farda - Uniforme
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Fastiado - Saciado, sem fome
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Ficar de butuca - Ficar de olho
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Foló - Folgado Frouxo
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Furtume - Mal cheiro
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Fuxico - Fofoca
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Gaia - Chifre
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Gastura - Aflição
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Giral - Uma mesa rústica fixa no chão geralmente feita de madeira roliça,
que serve para colocar vasilhas em cima
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Goela - Garganta
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Homem fresco - Gay
Imbornal (embornal) - Sacola Inarquia - Coisa feia Indêis - Ovo que se coloca no ninho para atrair as galinhas para botar Infiteque - Danado, atentado Ingastura - Mal-estar |
Insuquir - Comer demais
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Intanguido - Que não se desenvolve
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Jerimum - Abóbora
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Jibeira - Bolso
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Juquira - Mato fechado
Ladino - Sabido |
Latumia - Barulho estranho
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Livusia - Assombração
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Lutrida - Exibida
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Malinar - Mexer em coisas alheias
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Mangar - Ridicularizar
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Meleincia - Melancia
Melechete - Lama de garimpo |
Michila - Tamanduá Mirim, Merola, Jaleco, Meleta
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Mió - Melhor
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Mixicum - Inquietação
Moco - Bobo |
Mulher buchuda - Mulher grávida
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Mulher da vida ou Rapariga - Prostituta
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Murundu - Pequena elevação de terra, suficiente para arrancar a cabeça
do dedo
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Nascida - Furúnculo
Não dá um prego numa barra de sabão - Preguiçoso |
Nome Feio - Palavrão
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Num carece - Não precisa
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Ontonte - Antes de ontem
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Pegar uma ponga - Pegar carona
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Pereba ou Curuba - Ferida no corpo
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Pinicão - Beliscão
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Pirraça - Teima
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Pitaco - Opinião, palpite
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Pitar - Fumar
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Porrontonse - Pois então
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Precata - Sandália, chinelo
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Pru mode - Por causa
Riosca - Mutirão (troca de serviços nas fazendas) |
Rumbo imbora - Vamos embora
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Saliente - Ousado, pra frente
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Samiado - Guloso
Sapituca - Desmaio Supista - Pra frente, Entrão |
Taca - Surra ou pêia
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Tapioca - Polvilho
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Taquim - Pedaço pequeno
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Testo - Tampa de panela ou caldeirão
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Tiririca - Espécie de capim que cortante ou canela cinzenta
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Torno - Pedaço de madeira infincado na parede, que serve como cabide
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Traquino - Esperto
Trempe - Fogão improvisado com três pedras Tunda - Surra, péia |
Urinol - Pinico (uma vasilha utilizada para fazer as necessidades)
Uruvai - Orvalho |
Usurento - Egoísta
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Venta - Nariz
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Sentença Judicial contra Estuprador
COMO SE
TRATAVA O ESTUPRO EM 1833
Sentença
judicial datada de 1833 - Província de Sergipe
“Ipsis litteris, ipsis verbis” – Trata-se de Língua Portuguesa Arcaica.
PROVÍNCIA
DE SERGIPE
O
adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque
no dia 11 do mês de Nossa Senhora de Sant'Ana, quando a mulher do Xico Bento ia
para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra, que estava de em uma moita de
mato, sahiu della de supetão e fez
proposta à dita mulher, por quem queria
para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o
dito cabra abrafolou-se dela,
deitou-a no chão, deixando as encomendas
della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Noberto
Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do
sucesso fazem prova.
CONSIDERO:
QUE
o cabra Manoel Duda agrediu a mulher
de Xico Bento para conxambrar com
ela e fazer chumbregáncias, coisas
que só o marido della competia conxambrar, porque eram casados pelo
regime da Santa Igreja Cathólica Romana;
QUE
o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado
que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e a Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que se
não tiver uma cousa que atenue a perigança
dele, amanhan está metendo medo até nos homens.
CONDENO:
O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez a mulher do Xico
Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na
cadeia desta Villa.
Nomeio carrasco o carcereiro.
Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.
Manoel Fernandes dos Santos - Juiz de Direito
da Vila de Porto da Folha Sergipe, 13 de outubro de 1833.
Fonte: Instituto Histórico de Alagoas.
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