Coisas do Interior

Mauro da Nóbrega

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quarta-feira, 27 de março de 2024

Corrida de Cavalos - 1991 - Almas-TO (Mauro da Nóbrega)

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terça-feira, 31 de maio de 2016

Linguagem Típica de Almas e Região

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LINGUAGEM DE ALMAS E REGIÃO.

Como Almas e toda  a região Sudeste do Tocantins, hoje está sendo visitada por pessoas de todas as partes do país e do mundo, resolvi colocar aqui algumas palavras típicas, porém antigas, mas que ainda é usada, por pessoas nascidas na região, principalmente as residentes na zona rural.


A Pulso - A Força
Abêa - Abelha
Abilolado - Doido
Aperrear - Encher a paciencia
Arribar - Levantar
Assuntar - Olhar
Avexado - Apressado
Badoque / Bodoque - Arma artesanal feita de madeira e cordão, utilizada para caçada pequenos animais e aves
Baladeira - Estilingue
Balaio de Gato - Desorganização
Beiços - Lábios
Beiju - Iguaria feita de tapioca
Bila - Bola de gude
Boroca - Bolsa utilizada por garimpeiros para carregar objetos
Bruaca - Caixa feita de couro, onde geralmente se prende em uma cangaia que é colocada em cima de um jumento, para transporte de objetos, mantimentos, etc,..
Bulir - Mexer em coisas alheias
Cacunda - Costas
Calundu - Choro, tristeza
Cambito - Perna Fina
Caminhadeira - Desinteria / Caganeira
Capanga - Bolsa de tecido ou couro
Cascudo - Murro no meio da cabeça
Catinga - Mal cheiro
Chaculateira - Bule / Chaleira
Chapa - Dentadura
Cobertor de Orelha - Esposa (a)
Consolo / Bico - Chupeta de criança
Currião - Cinto
Derradeiro - Último
Diacho - Diabo
Discarado - Sínico 
Dordói - Conjuntivite
Entojo - Enjôo
Espiar - Olhar
Farda - Uniforme
Fastiado - Saciado, sem fome
Ficar de butuca - Ficar de olho
Foló - Folgado Frouxo
Furtume - Mal cheiro
Fuxico - Fofoca
Gaia - Chifre
Gastura - Aflição
Giral - Uma mesa rústica fixa no chão geralmente feita de madeira roliça, que serve para colocar vasilhas em cima
Goela - Garganta
Homem fresco - Gay
Imbornal (embornal) - Sacola
Inarquia - Coisa feia
Indêis - Ovo que se coloca no ninho para atrair as galinhas para botar
Infiteque - Danado, atentado
Ingastura - Mal-estar
Insuquir - Comer demais
Intanguido - Que não se desenvolve
Jerimum - Abóbora
Jibeira - Bolso
Juquira - Mato fechado
Ladino - Sabido
Latumia - Barulho estranho
Livusia - Assombração
Lutrida - Exibida
Malinar - Mexer em coisas alheias
Mangar - Ridicularizar
Meleincia  - Melancia
Melechete - Lama de garimpo
Michila - Tamanduá Mirim, Merola, Jaleco, Meleta
Mió - Melhor
Mixicum - Inquietação
Moco - Bobo
Mulher buchuda - Mulher grávida
Mulher da vida ou Rapariga - Prostituta
Murundu - Pequena elevação de terra, suficiente para arrancar a cabeça do dedo
Nascida - Furúnculo
Não dá um prego numa barra de sabão - Preguiçoso
Nome Feio - Palavrão
Num carece - Não precisa
Ontonte - Antes de ontem
Pegar uma ponga - Pegar carona
Pereba ou Curuba - Ferida no corpo
Pinicão - Beliscão
Pirraça - Teima
Pitaco - Opinião, palpite
Pitar - Fumar
Porrontonse - Pois então
Precata - Sandália, chinelo
Pru mode - Por causa
Riosca - Mutirão (troca de serviços nas fazendas)
Rumbo imbora - Vamos embora
Saliente - Ousado, pra frente
Samiado - Guloso
Sapituca - Desmaio
Supista - Pra frente, Entrão
Taca - Surra ou pêia
Tapioca - Polvilho
Taquim - Pedaço pequeno
Testo - Tampa de panela ou caldeirão
Tiririca - Espécie de capim que cortante ou canela cinzenta
Torno - Pedaço de madeira infincado na parede, que serve como cabide
Traquino - Esperto
Trempe - Fogão improvisado com três pedras
Tunda - Surra, péia
Urinol - Pinico (uma vasilha utilizada para fazer as necessidades)
Uruvai - Orvalho
Usurento - Egoísta
Venta - Nariz

Sentença Judicial contra Estuprador

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COMO SE TRATAVA O ESTUPRO EM 1833
Sentença judicial datada de 1833 - Província de Sergipe
“Ipsis litteris, ipsis verbis” – Trata-se de Língua Portuguesa Arcaica.

PROVÍNCIA DE SERGIPE
O adjunto de promotor público, representando contra o cabra Manoel Duda, porque no dia 11 do mês de Nossa Senhora de Sant'Ana, quando a mulher do Xico Bento ia para a fonte, já perto dela, o supracitado cabra, que estava de em uma moita de mato, sahiu della de supetão e fez proposta à  dita mulher, por quem queria para coisa que não se pode trazer a lume, e como ella se recuzasse, o dito cabra abrafolou-se dela, deitou-a no chão, deixando as encomendas della de fora e ao Deus dará. Elle não conseguiu matrimônio porque ella gritou e veio em amparo della Nocreto Correia e Noberto Barbosa, que prenderam o cujo em flagrante. Dizem as leises que duas testemunhas que assistam a qualquer naufrágio do sucesso fazem prova.
CONSIDERO:
QUE o cabra Manoel Duda agrediu a mulher de Xico Bento para conxambrar com ela e fazer chumbregáncias, coisas que só o marido della competia conxambrar, porque eram casados pelo regime da Santa Igreja Cathólica Romana;
QUE o cabra Manoel Duda é um suplicante deboxado que nunca soube respeitar as famílias de suas vizinhas, tanto que quiz também fazer conxambranas com a Quitéria e a Clarinha, moças donzellas; QUE Manoel Duda é um sujeito perigoso e que se não tiver uma cousa que atenue a perigança
dele, amanhan está metendo medo até nos homens.

CONDENO:
 O cabra Manoel Duda, pelo malifício que fez a mulher do Xico Bento, a ser CAPADO, capadura que deverá ser feita a MACETE. A execução desta peça deverá ser feita na cadeia desta Villa.
Nomeio carrasco o carcereiro.
Cumpra-se e apregue-se editais nos lugares públicos.

Manoel Fernandes dos Santos - Juiz de Direito da Vila de Porto da Folha Sergipe, 13 de outubro de 1833.
Fonte: Instituto Histórico de Alagoas.